(Fotografia publicada na revista DP Arte Fotográfica, edição n.º 18)
A norte de Portugal, no monte de Santa Luzia da bela cidade de Viana do Castelo, situa-se a não menos bela basílica de Santa Luzia, construída no início do século XX.
Este templo do Sagrado Coração de Jesus, é mais conhecido pelas gentes da terra como o santuário de Santa Luzia.
Um verdadeiro ex-libris desta pacata cidade, é um ponto de visita obrigatório não só pela sua beleza arquitectónica, como pela extraordinária vista panorâmica que dali se poderá desfrutar.
Se não sofrer de vertigens, faça um esforço e suba até ao zimbório no interior da basílica. Lá em cima, encontrará uma pequeníssima varanda circular, donde se vislumbra uma vista única sobre a cidade, mar e estuário do rio Lima. Em dias límpidos, no sentido sul, poderá avistar a cidade da Póvoa de Varzim. Para o lado interior, a vila de Ponte de Lima e, mais para norte o monte de Santa Tecla em Espanha.
A título de curiosidade, 1943 foi a data de conclusão dos trabalhos de construção desta basílica, iniciados em 1903. No entanto, desde 1926 que esta se encontra aberta ao respectivo culto.
No seu interior, destaca-se entre muitos outros pormenores, os vitrais das rosáceas que foram executados pela oficina Leone em Lisboa e, um Carrilhão composto por 26 sinos. Os dois querubins do altar-mor, são da autoria do Leopoldo de Almeida e esculpidos pelo mestre canteiro Pereira Lima em mármore vinda de Vila Viçosa.
Nos meses veraneios, poderá subir até ao alto deste monte através do elevador que, liga a cidade à basílica numa divertida viagem.
Numa passagem por esta agradável cidade, em maio de 2007, abordei fotograficamente esta basílica, tendo em mente dois objectivos ambiciosos: o primeiro, o de realizar uma fotografia inédita de um motivo que foi e é, milhares - para não dizer milhões - de vezes fotografado. O segundo e, sem qualquer pretensão a discussões religiosas, o de passar uma mensagem - ainda que subtil - de alguma “perda de expressão” da religião católica nos últimos tempos. Tal facto, perfeitamente patente na maioria dos visitantes que se deslocam a este santuário - menos voltados para as coisas do espírito - de olhos e sentidos postos sobretudo na beleza arquitectónica e na vista panorâmica, mais do que no significado do santuário...
Hoje como ontem, o santuário ainda constitui para os vianenses e não só, um local de profundo culto.
Se o primeiro objectivo imponha uma fotografia tipo não-cliché, o segundo, pela mensagem que havia de transmitir, não se adivinhava mais fácil. Juntos, era uma missão quase impossível!
Fazendo eco das palavras do cientista norte-americano H.J. Morton que, um dia afirmou: “O fotografo não tem a possibilidade de criar uma cidade até então inexistente ao redor de uma colina, tornando-a visível por meio de algumas pinceladas, acrescentar depois uma ou duas torres a um sumptuoso edifício, ou ainda eliminar o cume de uma montanha. Ele deve reproduzir aquilo que vê, exactamente da maneira com vê, sendo a escolha do ponto de vista o único privilégio à sua disposição”.
Assim, foi indispensável andar de um lado para outro, aproximar-me e afastar-me da basílica, colocar-me no ponto superior ou inferior a ela, a fim de observar o efeito produzido na fotografia por todas estas variações. Contudo, no final tinha uma mão cheia de registos que, apesar de interessantes, não acrescentavam nada de novo relativamente aquilo que já tinha visto na Internet e em panfletos turísticos. Apenas eram mais do mesmo...
Desiludido mas não vencido, resolvi contornar de carro o cume do monte de Santa Luzia - de sentido único - em contramão! Ainda hoje, não sei porque o fiz (talvez o meu anjo da guarda seja fotografo lá no céu...). Mas tal, permitiu avistar uma casa há muito abandonada que, a partir do carro tudo indicava ter uma perspectiva directa para a basílica através de uma velha janela. Não hesitando, fui verificar e, para meu total agrado, a janela a cair aos pedaços era o tal ponto de vista à minha disposição que, serviria não só, para obter uma perspectiva inédita e original da basílica como para transmitir a subtil mensagem.
Restou-me aguardar cerca de 1 hora pelo momento certo de luz e agradecer ao meu anjo da guarda pela "indicação"...
Por fim, resta frisar que até 8 de Maio de 2007, o ponto de vista deste registo fotográfico foi inédito e original!
CR/de
A norte de Portugal, no monte de Santa Luzia da bela cidade de Viana do Castelo, situa-se a não menos bela basílica de Santa Luzia, construída no início do século XX.
Este templo do Sagrado Coração de Jesus, é mais conhecido pelas gentes da terra como o santuário de Santa Luzia.
Um verdadeiro ex-libris desta pacata cidade, é um ponto de visita obrigatório não só pela sua beleza arquitectónica, como pela extraordinária vista panorâmica que dali se poderá desfrutar.
Se não sofrer de vertigens, faça um esforço e suba até ao zimbório no interior da basílica. Lá em cima, encontrará uma pequeníssima varanda circular, donde se vislumbra uma vista única sobre a cidade, mar e estuário do rio Lima. Em dias límpidos, no sentido sul, poderá avistar a cidade da Póvoa de Varzim. Para o lado interior, a vila de Ponte de Lima e, mais para norte o monte de Santa Tecla em Espanha.
A título de curiosidade, 1943 foi a data de conclusão dos trabalhos de construção desta basílica, iniciados em 1903. No entanto, desde 1926 que esta se encontra aberta ao respectivo culto.
No seu interior, destaca-se entre muitos outros pormenores, os vitrais das rosáceas que foram executados pela oficina Leone em Lisboa e, um Carrilhão composto por 26 sinos. Os dois querubins do altar-mor, são da autoria do Leopoldo de Almeida e esculpidos pelo mestre canteiro Pereira Lima em mármore vinda de Vila Viçosa.
Nos meses veraneios, poderá subir até ao alto deste monte através do elevador que, liga a cidade à basílica numa divertida viagem.
Numa passagem por esta agradável cidade, em maio de 2007, abordei fotograficamente esta basílica, tendo em mente dois objectivos ambiciosos: o primeiro, o de realizar uma fotografia inédita de um motivo que foi e é, milhares - para não dizer milhões - de vezes fotografado. O segundo e, sem qualquer pretensão a discussões religiosas, o de passar uma mensagem - ainda que subtil - de alguma “perda de expressão” da religião católica nos últimos tempos. Tal facto, perfeitamente patente na maioria dos visitantes que se deslocam a este santuário - menos voltados para as coisas do espírito - de olhos e sentidos postos sobretudo na beleza arquitectónica e na vista panorâmica, mais do que no significado do santuário...
Hoje como ontem, o santuário ainda constitui para os vianenses e não só, um local de profundo culto.
Se o primeiro objectivo imponha uma fotografia tipo não-cliché, o segundo, pela mensagem que havia de transmitir, não se adivinhava mais fácil. Juntos, era uma missão quase impossível!
Fazendo eco das palavras do cientista norte-americano H.J. Morton que, um dia afirmou: “O fotografo não tem a possibilidade de criar uma cidade até então inexistente ao redor de uma colina, tornando-a visível por meio de algumas pinceladas, acrescentar depois uma ou duas torres a um sumptuoso edifício, ou ainda eliminar o cume de uma montanha. Ele deve reproduzir aquilo que vê, exactamente da maneira com vê, sendo a escolha do ponto de vista o único privilégio à sua disposição”.
Assim, foi indispensável andar de um lado para outro, aproximar-me e afastar-me da basílica, colocar-me no ponto superior ou inferior a ela, a fim de observar o efeito produzido na fotografia por todas estas variações. Contudo, no final tinha uma mão cheia de registos que, apesar de interessantes, não acrescentavam nada de novo relativamente aquilo que já tinha visto na Internet e em panfletos turísticos. Apenas eram mais do mesmo...
Desiludido mas não vencido, resolvi contornar de carro o cume do monte de Santa Luzia - de sentido único - em contramão! Ainda hoje, não sei porque o fiz (talvez o meu anjo da guarda seja fotografo lá no céu...). Mas tal, permitiu avistar uma casa há muito abandonada que, a partir do carro tudo indicava ter uma perspectiva directa para a basílica através de uma velha janela. Não hesitando, fui verificar e, para meu total agrado, a janela a cair aos pedaços era o tal ponto de vista à minha disposição que, serviria não só, para obter uma perspectiva inédita e original da basílica como para transmitir a subtil mensagem.
Restou-me aguardar cerca de 1 hora pelo momento certo de luz e agradecer ao meu anjo da guarda pela "indicação"...
Por fim, resta frisar que até 8 de Maio de 2007, o ponto de vista deste registo fotográfico foi inédito e original!
CR/de

