Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Morabeza

(Fotografia publicada nas revistas NS' - Notícias Sábado n.º 183, zOOm fotografia prática n.º 3, e na DP Arte Fotográfica n.º 26)





















Uma viagem com sabor a África, um voo até à arte de bem receber


A menos de 500 quilómetros do litoral do Senegal, emerge o arquipélago de Cabo Verde, que é África e não é. É-o na música, nas cores vivas, e no ritmo calmo da vida que percorre suas veias. Mas também sentimos a nossa influência (portuguesa e não só), na língua, nas semelhanças do modelo económico seguido, na cultura e na saúde, bem acima da maioria dos países da África Oriental. 
Desta feliz mescla de influências, resultou uma etnia tipicamente Cabo-verdiana (cerca de 79% mestiça, 18% negra e 3% branca), cuja a média das idades ronda apenas os 21 anos. A sua mestiçagem é o resultado da emigração europeia para as ilhas; os brancos que ali ficaram eram maioritariamente solteiros, e das suas uniões com as nativas e escravas nasceram crianças mulatas que, ao longo do tempo acabariam por fazer desaparecer o gene branco.


Ao fim de um dia de faina ou de escola, o pontão e as belas praias adjacentes, são o rosto fiel da actual geografia humana de Cabo Verde. Todavia, falar do povo Cabo-verdiano é, obrigatoriamente, falar na Morabeza - por outras palavras, na arte de bem receber. Quem visita este paraíso de contrastes, por certo encontrará um povo hospitaleiro de sorriso atencioso e sempre disponível para ajudar.






















Num mundo cada vez mais global, em que o dinheiro e a sede pelo poder são as principais motivações humanas (e, principais causas de desentendimentos), há povos que, sem viver nas melhores condições de vida, sem as oportunidades de formação e emprego existentes no ocidente, sem grandes perspectivas de futuro, e com períodos significativos de seca, conseguem exibir na simplicidade do seu viver e bem receber uma invejável felicidade.



Boa viagem!


CR/de